Hobbies: um bem necessário

Se engana quem pensa que grandes cientistas nasceram em incubadoras, viveram enfurnados e morreram dentro de um laboratório escuro. Segundo algumas biografias, eles(as) até viam a luz do dia e faziam outras coisas do tipo não estudar. Há que se considerar que alguns relatos biográficos podem ser bastantes mentirosos ou tendenciosos… mas que sejam boas mentiras!  Ler uma biografia e ver que grandes cientistas também tinham hobbies é uma ideia, no mínimo, confortante.

einstein_violinFigura 1 – Foto de Einstein tocando violino (Fonte: Página do Facebook de Albert Einstein Official)

Convenhamos, não estudar é uma delícia! Só de ficar pensando na ideia de não estudar já dá aquela vontade de ficar não estudando. E, se procurar no Google, você vai encontrar estudos indicando que hobbies são extremamente importantes para a saúde. Bom, nunca li sobre, mas essa vaga ideia já pode servir como pretexto para não estudar. Serve para mim.

É muito bom saber que criadores de teorias inovadoras e revolucionárias e universais e arrojadas também faziam coisas no nível “OK”, nos fazendo sentir menos burros. Ainda, alguns passatempos deviam ter a função de fuga de demandas – todos, inclusive nobres cabeças, estão sujeitos às mesmas leis comportamentais. Esse é um dos prazeres de ler biografias: é um alívio saber que essas pessoas tinham amigos, comiam e dormiam, assim como a gente faz de vez em quando. Qualquer estereótipo de que cientistas são criaturas frias e sem emoção pode ser apagado ao saber mais sobre suas rotinas: é muito legal descobrir que cientistas eram também amantes dos prazeres da vida, das artes e da natureza.

Marie Curie, por exemplo, além de descobrir elementos químicos e desenvolver a teoria da radioatividade, gostava de andar de bicicleta. Ufa! Andar de bicicleta (até que) é tranquilo.

Já Albert Einstein, além de desenvolver a teoria geral da relatividade, gostava de tocar violino. Música é mesmo uma das coisas mais essenciais da vida.

B. F. Skinner, que desenvolveu bases experimentais para o estudo do comportamento humano, gostava de construir coisas, como carrinhos de kart (B.F. Skinner Foundation, sem data). Só quem já montou ou construiu algo de forma bem sucedida conhece aquela sensação de autoestima suprema e poder sobre o mundo material que é ter um martelo na mão.

Skinner ainda lançou sua autobiografia em 3 volumes nos livros Particulars of my Life, The Shaping of a Behaviorist e A Matter of Consequences. Uma outra fonte de dados biográficos sobre esse grande pesquisador pode ser encontrado no site da B.F. Skinner Foundation, onde a Dra. Julie Vargas, sua filha mais velha, escreveu um breve relato.

Outros exemplos de passatempos de grandes cientistas podem ser conferidos nesse infográfico do Perimeter Institute (infelizmente, disponível apenas em inglês):

PrintFigura 2 – Infográfico: Perimeter Institute

Mas ao ler as biografias você também tem que saber a hora de parar – ou então aquele sentimento de burrice pode voltar. Marie Curie gostava de andar de bicicleta, mas era uma ciclista de longa distância. Einstein foi autodidata em suas habilidades como violinista, e B. F. Skinner construiu sofisticadas câmaras experimentais. Já ouvi falar também que um analista do comportamento do sul do Brasil tinha como hobby a criação de abelhas, mas ele era tão bom – mas tão bom – que acabou virando o segundo maior apicultor da região. Tem gente que não sabe brincar.

Sendo cientista ou não, todos deveríamos ter hobbies. Por puro prazer, sem pressão ou relógio. Ter hobbies pode ter inúmeras funções. Além de poder ser aquele lugar pleno em que demandas não estão presentes, o tempo de lazer nos faz entrar em contato com consequências prazerosas produzidas pelo nosso comportamento. Ainda, contingências operam nas horas mais inesperadas, assim como aconteceu com Newton, de boa, embaixo de uma macieira, e Arquimedes tomando um relaxante banho de banheira – Eureca! Estou no aguardo para que Santa Serendipidade também ilumine meu caminho nas horas vagas.

E qual é o seu hobby?

IMG_20160714_180903Figura 3 – Um dos meus muitos hobbies: adoro jogar um joguinho. Sona forever.

E o próximo pesquisador do Projeto é um grande cientista, que demonstra muita sensibilidade ao falar sobre as consequências do comportamento humano, em artigos e livros. Tal pesquisador é conhecido por expor sobre as práticas coercitivas, mas ele também sabe falar sobre as consequências prazerosas do comportamento, como veremos na próxima postagem. 

Referências:

B. F. Skinner Foundation (sem data). Biographical Information. Disponível emhttp://www.bfskinner.org/archives/biographical-information/

Fonte da Figura 1: Albert Einstein tocando violino. Disponível em https://www.facebook.com/AlbertEinstein/photos/a.10151310323214843.492808.12534674842/10152473807869843/?type=3&theater

Infográfico Perimeter Institute. Disponível em https://www.perimeterinstitute.ca/news/what-great-scientists-did-when-they-werent-doing-great-science


Leia mais sobre o Desafio Número 13:
Treze: Dr. Murray Sidman, Parte 1


Leia mais sobre o Projeto a Fonte e a Ponte e a Análise do Comportamento:
a Apresentação
o Início dos Resultados
Por que eu deveria aprender sobre a ciência do comportamento?
as Profundezas do Método

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