Seis: Dr. William M. Baum, Parte 2

Em uma postagem anterior (Parte 1), foram apresentados os resultados da leitura de uma publicação do Professor Doutor William M. Baum. Na sequência, serão relatados os resultados do contato com o pesquisador.

Muito prontamente, o Dr. Baum aceitou participar do Projeto com o envio das respostas e com a autorização para divulgação no blog.

Foram enviadas as seguintes perguntas:

1) Por que sou um analista do comportamento?

2) Vamos supor que você tem o poder de eliminar apenas um equívoco comum relacionado à filosofia da Análise do Comportamento. Que concepção errônea você escolheria?

Além das perguntas, um espaço para falar sobre sua vida e seu trabalho é oferecido aos profissionais; nesse caso, o Dr. Baum aproveitou a oportunidade e contou também um pouco sobre sua vida atual. Relato na sequência (em português e em inglês) as respostas do Professor.

“Cara Fernanda,

A primeira pergunta é fácil, a segunda é difícil.

Eu me tornei um analista do comportamento por duas razões. Primeiro, eu estava interessado em comportamento animal até mesmo quando eu era uma criança. Quando eu estava cursando como graduando na Harvard College, meu interessse em comportamento animal levou-me a esolher biologia como minha área de interesse principal (Major). Na primavera do meu primeiro ano, eu me deparei com uma disciplina em comportamento humano (Ciências Naturais. 114) e decidi cursá-la. O professor (B. F. Skinner) não era um bom professor, mas a disciplina era interessante para mim e me mostrou que comportamento também era ensinado no departamento de psicologia. Segundo, no próximo semestre eu peguei uma disciplina em psicologia em “Aprendizagem e Motivação” lecionada por R. J. Herrnstein. Ele me convenceu a trocar minha área de interesse principal para psicologia em razão de que a biologia requeria mais disciplinas que a psicologia. Eventualmente eu fui para a pós-graduação lá também.

Sua segunda questão é difícil de ser respondida porque tantos equívocos sobre a análise do comportamento são comuns. Elas são questões como: (a) A Análise do Comportamento é uma ciência social, e não uma ciência natural; (b) A Análise do Comportamento é parte da psicologia, ao invés de uma alternativa à psicologia; (c) A Análise do Comportamento apenas lida com autismo, e não tem qualquer aplicação para o comportamento em geral; (d) A Análise do Comportamento recomenda o controle aversivo, ao invés do reforçamento positivo; e a lista continua.

Eu escolheria eliminar a concepção errônea de que a Análise do Comportamento é uma ciência social e parte da psicologia. Eu acho que essse é nosso maior obstáculo para a aceitação pelo resto da comunidade científica.

Eu vivo agora em São Francisco, Califórnia. É uma cidade linda, cheia de vida, e tem um bom clima, então eu amo viver aqui. Eu tenho um compromisso adjunto com a University of California, Davis, no departamento de ciência ambiental e política, onde eu colaboro com biólogos e antropólogos e estudo dilemas sociais.

Se você tiver mais perguntas, sinta-se livre para perguntar, e eu tentarei responder.”

Diante da abertura do Professor Baum para novas perguntas, um novo contato foi estabelecido, ao que se questionou sobre o obstáculo de falta de aceitação da Análise do Comportamento pelo resto da comunidade científica. Sobre isso, perguntou-se: Que coisas simples os analistas do comportamento podem fazer para superar esse obstáculo?

Sua resposta foi:

“Cara Fernanda,

Eu não tenho recomendações específicas. O problema principal parece ser que os biólogos não ouviram falar sobre a Análise do Comportamento, e se eles ouviram alguma coisa seria de que nós somos psicólogos. Então, eu tenho estudado a teoria evolutiva e tenho escrito sobre comportamento em um contexto evolutivo. Eu converso com biólogos e encontro eles em seu próprio terreno e explico como conceitos analítico-comportamentais ampliam suas teorias sobre a evolução humana, seleção de grupo, herança epigenética, e evolução cultural.

Eu diria: aprenda sobre evolução e conviva com biólogos.”

Para tentar eliminar qualquer viés ou limitação da tradução – ou para quem preferir ler em inglês –  apresento abaixo as perguntas e as respostas originais:

Questions:

“Why are you a behavior analyst?”

“Let’s say that you have the power of clearing up only one common misconception related to Behavior Analysis’ philosophy.  What misconception would you choose?”

Answers:

“Dear Fernanda,
The first question is easy, the second one is hard.
I became a behavior analyst for two reasons.  First, I was interested in animal behavior even as a child.  When I enrolled as an undergraduate at Harvard College, my interest in animal behavior drew me to choose biology as my major.  In the spring of my freshman year, I noticed a course on human behavior (Nat. Sci. 114) and decided to take it.  The professor (B. F. Skinner) wasn’t a great teacher, but the course was interesting to me and showed me that behavior was also taught in the psychology department.  Second, the next semester I took a psychology course on “Learning and Motivation” taught by R. J. Herrnstein.  He persuaded me to switch my major to psychology on the grounds that biology required more courses than psychology.  Eventually I went to graduate school there too.
Your second question is difficult to answer because so many misconceptions about behavior analysis are common.  They are matters like: (a) BA is social science, not natural science; (b) BA is part of psychology, rather than an alternative to psychology; (c) BA only deals with autism, it has no application to behavior in general; (d) BA advocates aversive control, rather than positive reinforcement; and the list goes on.
I would choose to clear up the misconception that BA is social science and part of psychology.  I think that is our biggest obstacle to acceptance by the rest of the scientific community.
I live now in San Francisco, California.  It is a beautiful city, full of life, and has great weather, so I love living here.  I have an adjunct appointment at University of California, Davis, in the department of environmental science and policy, where I collaborate with biologists and anthropologists and study social dilemmas.
If you have more questions, feel free to ask, and I will try to answer.”
Final question:
“Considering the obstacle to acceptance by the rest of the scientific community, what are some simple things behavior analysts can do to overcome this obstacle?” 
 
Final answer:
“Dear Fernanda,
I don’t have any specific recommendations.  The main problem seems to be that biologists haven’t heard of behavior analysis, and if they have heard anything it’s that we are psychologists.  So, I have studied evolutionary theory and written about behavior in an evolutionary context.  I talk with biologists and meet them on their own ground and explain how behavior-analytic concepts enhance their theories about human evolution, group selection, epigenetic inheritance, and cultural evolution.
I would say: learn about evolution and hang out with biologists.”

 

O que achou das respostas do Professor Baum? Deixe sua mensagem (em português ou em inglês, no modo privado ou público – mais informações em Contato) para o pesquisador; alguns feedbacks serão reunidos, traduzidos e enviados para William Baum, para que ele também tenha contato com o produto final de sua valiosa participação no Projeto.

Pesquisador Número 6 concluído! Na próxima postagem, apresento um prólogo sobre o assunto estudado pelo próximo pesquisador.


Leia mais sobre o Desafio Número 6:
Uma Metáfora para o Mentalismo
Seis: Dr. William M. Baum, Parte 1


Leia mais sobre o Projeto a Fonte e a Ponte e a Análise do Comportamento:
a Apresentação
o Início dos Resultados
Por que eu deveria aprender sobre a ciência do comportamento?
as Profundezas do Método

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