o Início dos Resultados

“(…) a realidade não se mostra a quem não pergunta.”
Sérgio Vasconcelos de Luna, no livro Planejamento de pesquisa: uma introdução (1996), p.33.

Quem são os(as) analistas do comportamento a serem estudados no Projeto? Que contribuições fizeram/fazem para a ciência e para a sociedade? Para começar a responder a essas perguntas, faz-se necessário organizar os dados para se obter um panorama geral do problema. O objetivo do presente texto é apresentar alguns dados preliminares coletados até o momento. 

A lista atual da ABAI (Association for Behavior Analysis International) – citada na primeira postagem  conta com 90 pessoas. Na tentativa de representar o reconhecimento dos(as) profissionais durante esses anos, foi elaborado o seguinte gráfico (Figura 1):

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Pode-se observar que o número de reconhecimentos por ano tem variado ao longo dos anos. O maior valor encontrado foi de 17 pessoas reconhecidas em 2005, enquanto o menor valor foi de 3 pessoas em 2012. Se de 2004 a 2015 foram reconhecidos(as) 90 analistas do comportamento pela ABAI, tem-se uma média anual de 7.5 pessoas; tomando a média como parâmetro para uma previsão, pode-se esperar que de 2016 até o fim de 2019 poderão ser nomeadas mais 30 pessoas, totalizando 120 profissionais a serem estudados em 4 anos (2016 a 2019) – ou seja, 30 pessoas/ano.

Sobre os(as) analistas do comportamento, alguns dados foram sistematizados:

Post3foto3_

Do total de 90 pessoas, tem-se que 75 (aproximadamente 83%) são homens e 15 (cerca de 17%) são mulheres (Figura 2). 

Ainda, sabe-se que:

Post3foto4_

A maior parte dos(as) profissionais trabalham/trabalharam em países do continente americano (84 pessoas); o restante atua/atuou em países da Ásia (2 pessoas), da Europa (2 pessoas) e da Oceania (2 pessoas) – conforme Figura 3. Mais especificamente, tem-se que:

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Figura 4 – Distribuição de profissionais por País no período 2004-2015.

A grande maioria dos(as) profissionais trabalham/trabalharam nos EUA (81 pesquisadores). Na Nova Zelândia foram reconhecidas as contribuições de duas pessoas. Finalmente, os seguintes países tiveram um(a) analista do comportamento nomeado(a): Brasil, Espanha, França, Israel, Japão, México e Panamá.

É preciso, a bem da verdade, deixar claro que os(as) profissionais reconhecidos(as) pela ABAI correspondem, porém, a uma pequena parcela dos(as) analistas do comportamento do mundo. Ainda, de acordo com o site da Associação, a nomeação é restrita a “sócios plenos da ABAI com registros documentais de suas contribuições em pelo menos uma das seguintes áreas primárias: a) pesquisa e contribuições acadêmicas; b) prática profissional, ou c) ensino/administração/serviço” (Site da ABAI).

Dito de outro modo, os dados apresentados sobre o reconhecimento da ABAI durantes esses anos não representam o cenário atual completo da Análise do Comportamento. Sobre a distribuição de profissionais por continente, por exemplo, as atividades e as contribuições de analistas do comportamento em outros lugares – como no continente africano ou em outras partes da América Latina, da Ásia e da Europa – não serão estudadas (pelo menos até o presente momento e com a atual lista). De passagem, cabe mencionar que o impacto mundial da Análise do Comportamento foi descrito por Hübner (2003), e outros lugares – como Inglaterra, Jordânia e Abud Dhabi – são/foram palcos de intervenções analítico-comportamentais em diferentes contextos. Contudo, traçar o cenário mundial da Análise do Comportamento extrapola os limites desse projeto, ainda que tal empreitada possa ser relevante. Essa mesma observação parece ser adequada para a distribuição de analistas do comportamento por sexo: embora possa ser interessante traçar a participação da mulher na Análise do Comportamento, tal proposta foge do escopo do presente projeto; no entanto, cabe mencionar que alguns estudos norte-americanos já tentaram mapear esse contexto (por exemplo, Simon, Morris & Smith, 2007; McSweeney, Donahoe & Swindell, 2000; Iwata & Lent, 1984).

Por fim, decisões sobre a organização do blog foram tomadas; sua estrutura será construída da seguinte maneira: 1) a Categoria Parte 1 contemplará a busca por leituras de cada profissional e seus Resultados, podendo conter linguagem técnica da Análise do Comportamento; 2) na Categoria Parte 2 serão narrados os contatos (ou tentativas de contato) com cada profissional e seus Resultados, e a linguagem técnica será evitada na medida do possível; por fim, 3) na Categoria Pausa estarão textos diversos de transição, com linguagem não-técnica; tais Categorias poderão ser acessadas na parte inferior do blog. As postagens também poderão ser acessadas por um índice geral (em Arquivos, localizado nas partes superior e inferior do blog), com organização cronológica por data de publicação. Por fim, em a Linha do Tempo (localizada na parte superior do blog), o progresso poderá ser observado em suas pequenas parcelas. Atualizações do blog serão publicadas na página do projeto no Facebook.

Referências:

Hübner, M. M. C. (2013). Análise do comportamento aplicada: reflexões a partir de um cenário internacional e das perspectivas brasileiras. Em Comportamento em foco 2, Carlos Eduardo Costa, Carlos Renato Xavier Cançado, Denis Roberto Zamignani, Silvia Regina de Souza Arrabal-Gil. Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental. São Paulo: ABPMC, 2013.

Iwata, B. A. & Lent, C. E. (1984). Participation by women in behavior analysis: Some recent data on authorship of manuscripts submitted to the Journal of Applied Behavior Analysis. The Behavior Analyst, 7.

Luna, S. V. de (1996). Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC.

McSweeney, F. K., Donahoe, P., & Swindell, S. (2000). Women in Applied Behavior Analysis. The Behavior Analyst, 23, n.2 (Fall).

Simon, J. L., Morris, E. K., & Smith, N. G. (2007). Trends in Women’s Participation at the Meetings of the Association for Behavior Analysis: 1975–2005. The Behavior Analyst, 30, n.2 (Fall).

Site da ABAI, Fellows of ABAI: https://www.abainternational.org/constituents/fellows/fellows-of-abai.aspx


Leia mais sobre o Projeto a Fonte e a Ponte e a Análise do Comportamento:
a Apresentação
Por que eu deveria aprender sobre a ciência do comportamento?
as Profundezas do Método

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